o que é open banking

O que é Open Banking e como ele vai mudar os bancos brasileiros

In Artigos, Ferramentas by Boleto Fácil0 Comments

Você já ouviu falar em Open Banking?

Essa é uma tendência que promete modificar para sempre a nossa relação com os bancos. Por meio de APIs, empresas e fintechs conseguem criar novos negócios, utilizando as informações disponibilizadas pelas instituições bancárias sobre um determinado cliente. Como o nome já diz, o banco deixa de ser fechado e abre-se para outras organizações.

Para entender o conceito e como ele trará novidades para o segmento, é interessante voltar um pouco no tempo e relembrar como as instituições financeiras funcionam.

como o open banking vai mudar os bancos

Até o início dos anos 2000, conseguir serviços financeiros – como empréstimos ou aberturas de contas – era mais complexo do que atualmente. Isso porque os bancos detinham as informações dos seus clientes e não as compartilhavam com ninguém.

O cenário só mudou em 2006, quando o Banco Central do Brasil criou uma resolução que obrigava os bancos a cederem as informações dos seus clientes (quando autorizado por eles) para terceiros. Essa norma facilitou a vida dos consumidores, que puderam compartilhar com seguradoras de outras instituições, por exemplo, dados como saldo mensal, histórico de empréstimos e outras informações relevantes sobre o seu perfil.

Porém, apesar de liberar essas informações, o processo para consegui-las era burocrático. O consumidor precisava entrar em contato com o banco, que tinha até 15 dias para compartilhar os dados requisitados.

Em 2013, o Banco Central do Brasil fez uma outra mudança que também facilitou a vida dos consumidores: regulamentou as instituições financeiras, permitindo que as fintechs surgissem em solos brasileiros, trazendo competitividade no segmento e mais opções para o consumidor.

O avanço das fintechs e das empresas de tecnologia com foco em soluções financeiras – no mundo e também no Brasil – fizeram com que esse compartilhamento de informações dos bancos de uma maneira mais ágil e automatizada se tornasse necessário.

A partir daí o Open Banking foi fortalecido.

O que é Open Banking

Open Banking é a prática de compartilhar informações de clientes que necessitam de uma solução financeira segura e automática. Essa abertura de informações se dá a partir de APIs disponibilizadas pelos bancos.

Pelo fato das APIs garantirem esse compartilhamento de dados – com a autorização do cliente – é possível que uma grande troca de informações aconteça entre as instituições. Isso facilita a contratação de novos serviços para o consumidor.

Com o Open Banking, o consumidor poderia, por exemplo: ter uma conta corrente no banco A, cartão de crédito na fintech B, contratar um seguro no banco C e fazer investimentos numa instituição financeira D – e tudo isso estaria presente numa mesma tela de app, visto que todas as informações relativas aquele cliente são integradas.

Com o open banking, a criatividade será o limite quando o assunto forem soluções financeiras.

Como o Open Banking funciona?

Cada instituição financeira conta com uma determinada quantidade de informações referentes a um cliente. Com o open banking, todas elas têm acesso rápido a novos dados necessários para a contratação de um serviço. Esse compartilhamento se dá por meio de uma camada de APIs, que realiza a comunicação entre o banco e a fintech.

Para garantir a segurança de todos os dados, também é importante contar com uma API Gateway.

O Open Banking no mundo

No início de 2018, a Europa regulamentou o open banking com a PSD2, uma diretriz de serviços de pagamento. A partir dela, os bancos são obrigados por lei a compartilhar as informações de seu cliente, quando este desejar.

Esse caso da Europa é o grande benchmark para outros países que estudam a possibilidade de garantir o open banking para seus cidadãos.

A Ásia também já conta com países que adotaram esse modelo de troca de dados entre as instituições financeiras, porém cada um deles conta com sua própria diretriz de funcionamento.

Open Banking no Brasil

O Open Banking ainda não está formalmente regulamentado no Brasil. A tendência é que o Banco Central chegue numa diretriz de proposta ainda em 2019. Quando isso acontecer, o BC em conjunto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) vai definir as regras de uso das informações compartilhadas pelos usuários.

Dois modelos de regulamentação de Open Banking no Brasil estão em discussão. O primeiro deles seria um modelo mais restrito, que define os tipos de plataforma que podem requisitar dados, além de apresentar qual é o modelo de API que deve ser utilizado. O segundo seria menos restrito e obriga todos os bancos a disponibilizarem APIs.

Por que é a regulamentação do open banking fundamental?

Apesar de parecer uma burocracia, essa regulamentação do open banking é fundamental para a segurança do consumidor. A partir do momento que os bancos e as instituições têm acesso aos dados do cliente, o que poderiam fazer com esse conhecimento? Vale lembrar que eles teriam acesso não apenas aos dados bancários, mas também às informações compartilhadas em redes sociais e outros canais pessoais do consumidor.

Ninguém quer que a liberação de mais crédito pessoal seja baseado em fotos do Facebook e Instagram, não é mesmo? Portanto, o Banco Central precisa sim delimitar a linha de onde as informações do consumidor podem ser utilizadas ou não.

Como os bancos tradicionais se beneficiariam do open banking?

Com tantas soluções financeiras, com uma pegada digital e excelente atendimento surgindo no Brasil e no mundo, os bancos tradicionais precisam se reinventar. Em vez de enxergar o open banking como uma ameaça, essas instituições devem vê-lo como um aliado.

O Open Banking é uma via de mão dupla. Os bancos compartilham informações para as fintechs e vice-versa. Portanto, eles vão receber insights que não tinham no passado, relacionados aos hábitos de consumo dos seus clientes.

Essa é uma oportunidade para que os bancos desenvolvam novos produtos financeiros que geram receita e funcionam como um chamariz para potenciais clientes. Além disso, eles podem criar parcerias com startups, que têm um ritmo diferente (muito mais agilizado) para tirar projetos do papel. É uma maneira do banco se atualizar, sem necessariamente precisar dedicar time e recursos para a inovação.

Como o Open Banking vai favorecer o consumidor

No final dessa história, quem realmente se beneficia do open banking é o consumidor. A partir do momento que os bancos deixam de ser os detentores das informações financeiras de seus clientes, mais soluções financeiras podem surgir.

A tendência é que novos aplicativos, focados em gerenciamentos de finanças, por exemplo, apareçam no mercado. Afinal de contas, os desenvolvedores poderão se utilizar de APIs para fazer esse trabalho. Com o auxílio de inteligência artificial, é possível prever os gastos do consumidor e já sugerir soluções financeiras de acordo com cada perfil.

O Open Banking também facilita a análise de crédito no momento em que um consumidor deseja fazer empréstimos. As APIs garantem que a empresa que estará prestando esse serviço tenha acesso rápido às informações que precisa para dar andamento ao processo.

Com o auxílio da inteligência artificial também será possível evitar fraudes. Isso porque tanto os bancos quanto as fintechs podem escanear os gastos do usuário e cruzar informações.

Os exemplos de soluções que podem surgir a partir do Open Banking são inúmeras! Como você acha que essa troca de informações vai beneficiar o consumidor? Compartilhe com a gente nos comentários!

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